A presença da Galiza em Teixeira de Pascoaes dinamizou o encontro de Amarante com a AGLP

 Docentes e alunado da Universidade Sénior de Amarante incluiu a Casa da Língua Comum na sua visita de estudos a Santiago de Compostela

AGLP. 17/05/2026

Texto: J. Rodrigues Gomes; Fotografias: Ângelo Cristóvão; Coordenação Linguística: Antia Cortiças; Produção: Xico Paradelo.


Como “pensador e poeta do Saudosismo, e amigo dos melhores galegos de ante-guerra (1936-1939)” foi evocado Teixeira de Pascoais por António Gil Hernández, presidente da Academia Galega da Língua Portuguesa (AGLP), na receção a um grupo de docentes e alunado da Universidade Sénior de Amarante, que visitou a Casa da Língua Comum, sede da Academia Galega da Língua Portuguesa (AGLP) em Santiago de Compostela. O grupo da cidade portuguesa incluiu esta atividade na sequência de uma visita de estudos à capital galega. Na delegação de Amarante participaram a Doutora Alda Barbosa, chefe da Divisão de Desenvolvimento e Coesão Social da Câmara Municipal de Amarante; doutora Carina Oliveira, técnica superior da Divisão citada e coordenadora da Universidade Sénior; o professor Carlos Silva; e Brites Araujo, também docente, e que é Académica Correspondente da AGLP.

 A presença de pessoas da Galiza com quem o autor teve relacionamento, além das alusões à Literatura Galega na produção de Teixeira de Pascoaes (Amarante, 1877-1952), dinamizaram este encontro. António Gil Hernández leu o poema que Pascoaes dedicou à Galiza e que foi publicado na revista Nós, “órgão do grupo académico-nacional galego conhecido como Geração Nós”; poema que principia com os conhecidos versos “Galiza, terra irmã de Portugal / Que o mesmo Oceano abraça longamente” onde alude a Rosalia de Castro e Eduardo Pondal, figuras centrais do Cânone da Literatura Galega Contemporânea. Também lembrou Gil Hernández a sua presença, com mais escritores e escritoras da Galiza, em encontros literários celebrados em Amarante a finais do século XX.

Em nome da delegação portuguesa interveio a doutora Alda Barbosa, quem destacou os relacionamentos de Teixeira de Pascoaes com a Galiza. Referiu igualmente a atividade, programação e principais disciplinas que oferece a Universidade Sénior de Amarante promovida pela Câmara Municipal da cidade.

A Geração da Lusofonia da Galiza, caminho certo

A continuação interveio Ângelo Cristóvão, numerário da AGLP e Sócio correspondente da Academia das Ciências de Lisboa, quem falou de Apontamentos de História Social da Língua, um trabalho que se distribuiu impresso para as pessoas presentes. Falou da Geração da Lusofonia da Galiza, à qual ele adere, e que está conformada por “escritores, investigadores e professores identificados por uma posição de compromisso com a Galiza, sem cedências aos factos consumados, nomeadamente em termos do modelo de língua, produzidos em circunstâncias em que o centro de decisões se situava fora do nosso território, ou contra o nosso povo”. Sublinhou a vontade da AGLP de “dotar a sociedade de um modelo de língua condigno, ao nível de qualquer das línguas nacionais europeias. Alguns acontecimentos políticos e sociais registados desde a sua criação em 2008 indicam que este é o caminho certo”.

O ato foi apresentado e coordenado por Concha Rousia, numerária da AGLP, e teve continuidade com um recital de poesia. Nele participaram Brites Araújo, que recitou o poema de Teixeira de Pascoais dedicado a Rosalia de Castro; José Manuel Barbosa, numerário da AGLP, quem ofereceu um poema próprio, intitulado “A Guerra”, que surpreendeu pelo seu conteúdo e pela forma como foi recitado; Iolanda Aldrei, também numerária da AGLP, quem leu a “Oitava”, poema de Teixeira de Pascoais dedicado ao artista galego Álvaro Zebreiro publicado em 1925, cujos dois últimos versos, “Em ti saúdo a mística beleza / Da terra mãe da terra portuguesa” emocionaram especialmente o grupo de Amarante e as restantes pessoas presentes. Aldrei lembrou a sua participação nos encontros literários de Amarante aos quais se tinha referido António Gil Hernández, afirmando que foi neles onde tinha conhecido o Professor Ricardo Carvalho Calero, e que estavam ligados também a acontecimentos pessoais de relevo, o que fazia com que se sentisse conterrânea dessa cidade portuguesa. O ato poético finalizou com a intervenção de Concha Rousia, quem leu um poema próprio, “Quem perde a sua língua”, e evocou o eminente linguista português João Malaca Casteleiro.

“Na verdade, a Casa da Língua Comum ficou carregada de energia positiva”, sublinha Concha Rousia, após o contacto final com as pessoas de Amarante, às quais lhes foram oferecidas publicações dos fundos da AGLP.

No ato estiveram presentes mais membros da AGLP, como o professor doutor e lexicógrafo Isaac Alonso Estraviz, quem informou que este 15 de maio o seu dicionário eletrónico e-estraviz tinha atingido os 151.657 verbetes, sendo “hantavírus” o último incorporado; e continuará com a sua atualização; e o Professor Luís Gonçales Blasco.

 

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