"Galiza: Língua e Sociedade", um pretexto com futuro
Apresentação na Feira do Livro da Corunha
Isabel Rei Sanmartim - No crunhês bairro da Pescadaria, entre o Porto e a rua de Santo André, num extremo do parque de Mendes Nunes, lugar onde durante vários dias sediou a anual Feira do Livro da Crunha, decorreu o passado 10 de agosto a última das apresentações deste verão da Academia Galega da Língua Portuguesa.
O ato foi uma reivindicação do antigo galeguismo crunhês, hoje oculto pelas vidraças grisalhas dos edifícios das grandes fundações espanholas que tomaram o espaço antes destinado às relações comerciais entre os galegos do mar e da terra.
Aguardávamos no local das apresentações e não o víamos, mas o Atlântico batia no porto com a calma amortecida do oceano que chega mansinho à sua ribeira, sabedor de que um conjuro contra os defenestradores da Galiza estava argalhando-se não muito longe das suas ondas.
Começou o ato arredor das 20h45, uns quinze minutos depois da hora prevista, porque as apresentações anteriores rematavam com o recitado de sonetos, essas formas clássicas italianas da modernidade que aqui chegaram, à terra da lírica galego-portuguesa tão galega ela, tão incompreensível para aqueles que insistem em não nos entender.
E foi por esse motivo que o ato demorou até quase as dez da noite, depois das apresentações devidas realizadas pelo académico e minucioso investigador Fernando Vásquez Corredoira, que traçou a pouco conhecida para as massas, mas brilhante e fundamental linha de estudos dos académicos Ernesto Vázquez Souza e António Gil Hernández, co-autores da obra.
António Gil Hernández, Fernando Vásquez Corredoira
e Ernesto Vázquez Souza
O primeiro, que estava no bairro da sua infância, falou da Academia e lembrou os passeios com o seu avô, que foi quem lhe ensinou a arte de reclamar o que é nosso por direito de humanidade. O segundo, era o editor do livro que se apresentava, ainda não o disse? o Galiza: Língua e Sociedade, anexo I do Boletim da Academia, isto é, um produto mais da sua atividade em prol da terra que também é sua por direito, apesar de ele ser filho natural de Castela, facto que ainda nos honra mais aos naturais da Galiza e da Lusofonia toda.
E foi nisto em que estávamos, eu tirando fotos quase hiperativa, com as idas e vindas para diante, para trás, de dentro, de fora, o que me deu uma boa perspetiva do público: assistiu gente desconhecida, familiares e também antigos companheiros e companheiras de aventuras, da mesma cidade e de fora dela, reunidos dando vida aos espíritos galeguistas de outros tempos, emocionados (adverti) por ver os três amigos oradores, de gerações diferentes, defender com firmeza a revolucionária ideia da ação cidadã, de tomar nas nossas mãos o leme da história e fazer da nossa terra, nosso ser, ser nossa em reciprocidade necessária, inequívoca e apremiante.
Era o último evento do mês de agosto na agenda da Academia Galega da Língua Portuguesa e toque final a um percurso que nos levou a participar nas feiras do livro de Vigo e da Crunha, graças à colaboração da Federación de Libreiros de Galicia, nomeadamente de Antonio Fernández Maira, e a ajuda e interesse dos próprios livreiros, muitos dos quais nos ofereceram um apoio inestimável.
Não vamos esquecer a amabilidade de Xaime, da Andel de Vigo, por exemplo. Ou a calorosa acolhida na livraria O Pontillón de Moanha. A oportunidade da apresentação na livraria Orfeu, em Bruxelas. A grata visita que fizemos à Torga, em Ourense, ou as amostras deixadas na Couceiro de Compostela e da Crunha, e na Xiada, também da Crunha. E na outra Couceiro, a também crunhesa livraria M. Couceiro.
Estivemos no Festigal de Compostela, onde o livreiro Pedreira nos arranjou um local para mostrar a nossa produção, vender alguns livros e obsequiar outros. Mas, sobretudo, pudemos estar presentes e criar mundo, que ninguém dos que por lá passou deixou de levar informação suficiente para começar a sair do tobo alienante dividido em quatro províncias, esse galpão mental ou gaiola de quatro ferros que construíram para nós desde o longe.
E também alimentámos na medida do possível as bibliotecas da nossa base social. Por enquanto, nos centros sociais da Gentalha do Pichel, em Compostela, da Esmorga, em Ourense e da Fundaçom Artábria, em Ferrol podem consultar-se gratuitamente as publicações da Academia Galega e as atividades da Associação Cultural Pró AGLP. Mas isto é só o começo, como dissemos um dia, logo haverá mais visitas a centros sociais e o espalhamento da consciência cívica terá ainda mais argumentos para se fortalecer e dar os frutos em terra própria.
A história faz-se cada dia, somos nós, sim, Nós, a fazê-la. O nosso tecido arterial está em expansão, como o universo, e as estrelas que levamos na frente ainda estão por dar os maiores e melhores cantares dos nossos bicos.
- Publicado em Info Atualidade



O Anexo I do Boletim, o livro GALIZA: LÍNGUA E SOCIEDADE, editado pela Academia Galega da Língua Portuguesa será apresentado também na
A Associação Cultural Pró AGLP terá uma bancada, sob o nome Bancada Bibliocafé, no Festigal deste ano, desenvolvendo uma série de atividades que tentarão dar a conhecer a Academia bem como os trabalhos realizados e publicações editadas até o momento.
A Associação Pró Academia realizará neste mês de junho de 2009 algumas visitas a centros sociais na Galiza para apresentar o Projeto de Léxico que a Comissão de Lexicologia e Lexicografia da AGLP está a elaborar.
No mesmo ato também se dará conta do projeto para a integração de léxico da Galiza no Vocabulário Comum
Os dias 20 e 24 de abril serão apresentadas em Tui e Compostela, respetivamente, as estreias do académico Rudesindo Soutelo Minho Azul, um passeio no Cabo Fradera e o Concerto monográfico com a integral das obras dos anos 70.


Academia Galega da Língua Portuguesa participará na Sessão interacadémica que irá realizar-se na sede da Academia das Ciências de Lisboa
Comissão Novo Acordo Ortográfico
Manterá reunião na Academia das Ciências de Lisboa
O prestigioso linguista e escritor Celso Álvarez Cáccamo, doutor em Filologia Hispânica, Ph. D. em Sociolinguística e Antropologia Linguística pela Universidade de California (Berkeley), professor da Universidade da Corunha (Galiza), é o trigésimo membro numerário da Academia. Com longa experiência investigadora, tem publicado numerosos artigos em revistas especializadas sobre sociolinguística e análise de discurso, em português e em inglês. Mantém uma intensa atividade na internet, tendo criado espaços como a revista çopyright - pensamento, crítica e criação, e Versão Original, com material audiovisual e documentos digitalizados sobre o debate linguístico na Galiza. É salientável também a sua produção literária, nomeadamente poesia, com Os Distantes (Espiral Maior, 1995) ou Poemas ao Pai (2008).
A Academia Galega da Língua Portuguesa realizará uma reunião plenária o dia 30 de dezembro, em Santiago de Compostela