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A Faculdade de Filologia da Universidade de Santiago acolherá, o dia 9 de fevereiro, um seminário de lexicografia em homenagem ao professor João Malaca Casteleiro

O evento, organizado pela Cátedra Institucional Carvalho Calero e a Academia Galega da Língua Portuguesa, com o apoio da Secretaria da Língua do Governo autónomo da Galiza, terá lugar na Sala de Graus da Faculdade, com início às 10 horas.

Participarão como oradores algumas das mais destacadas personalidades galegas e portuguesas no âmbito da lexicografia, além de estudiosos das obras de Carvalho e Malaca, cujo paralelismo vital foi assinalado pelo professor Carlos Quiroga, coordenador da Cátedra.

AGLP 22/01/2026


João Malaca Casteleiro foi um dos mais destacados linguistas portugueses do século XX. Licenciou-se em filologia românica em 1961, e doutorou-se em 1979, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, com uma dissertação em sintaxe da língua portuguesa. Foi desde 1981 professor catedrático na mesma faculdade. Lecionou e coordenou a cadeira de sintaxe e semântica do português, no âmbito da licenciatura, e vários seminários nas áreas da sintaxe, léxico e didática no âmbito do mestrado.

Foi diretor de investigação do Centro de Linguística da Universidade de Lisboa, conselheiro científico do Instituto Nacional de Investigação Científica e presidiu ao Conselho Científico da Faculdade entre 1984 e 1987. Coordenou e colaborado em diversos projetos de investigação e de edição, em Portugal e no estrangeiro, em articulação com organismos como o Conselho da Europa, os Serviços de Educação do Governo de Macau e o Ministério da Educação de Portugal, entre outros.

Foi professor convidado na Universidade da Beira Interior, no Departamento de Artes e Letras. Foi membro da Academia das Ciências de Lisboa, desde 1979, e presidente do seu Instituto de Lexicologia e Lexicografia entre 1991 e 2008. Ao longo da sua carreira de professor orientou mais de meia centena de teses de doutoramento e de mestrado. Também foi membro correspondente da Academia Galega da Língua Portuguesa, tendo participado em vários seminários de lexicografia em Santiago de Compostela. Foi também patrono da Associação Internacional dos Colóquios da Lusofonia, participando durante mais de 15 anos nos eventos organizados por esta entidade, nomeadamente em Bragança e os Açores.

Em representação da Academia das Ciências de Lisboa, Malaca Casteleiro fez parte da delegação portuguesa ao Encontro de Unificação Ortográfica da Língua Portuguesa, realizado na Academia Brasileira de Letras, no Rio de Janeiro, em 1986, participou também no Anteprojeto de Bases da Ortografia Unificada da Língua Portuguesa, em 1988, bem como nos trabalhos que conduziram ao Acordo Ortográfico de 1990, firmado nesse ano, em Lisboa.

A 24 de abril de 2001 foi feito Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique.

João Malaca Casteleiro foi o responsável pela versão portuguesa do Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, e coordenador científico do Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea e do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa editado pela Porto Editora em outubro de 2009.

Defendida tese de doutoramento sobre a Poesia Galega de Ricardo Carvalho Calero na Universidade da Corunha

Na passada sexta-feira, 19 de dezembro, foi defendida na Faculdade de Filologia da Universidade da Corunha a tese de doutoramento de Paulo Fernandes Mirás, numerário da Academia Galega da Língua Portuguesa, com o título "Edição da poesia em galego de Ricardo Carvalho Calero", sob a direção da professora Maria Teresa López Fernández.

AGLP 23/12/2025

Texto: Maria Rosário Fernades Velho


O evento decorreu na Sala de Atos, acompanhado por familiares e amigos, e foi avaliado pelos Professores Doutores Xosé Ramón Freixeiro Mato, que presidiu o júri, Diego Ribadulla Costa, da Universidade de Santiago, que atuou como secretário, e Maria Aldina Marques, da Universidade do Minho, como vogal. A tese reúne toda a poesia publicada de Ricardo Carvalho Calero, incluindo não apenas os poemas canónicos, mas também aqueles que estavam dispersos, os excluídos e os recuperados, bem como a poesia parcialmente inédita, que aparece no volume Feixe Levián, um livro até então desconhecido, além de outros poemas encontrados em bibliotecas, arquivos e até em casas particulares.

Feixe Levián foi escrito entre 1934 e 1948, durante a Guerra Civil e a Pós-guerra, um período histórico extremamente complexo para Carvalho Calero e que, para a história da literatura galega, preenche um espaço até então inexplorado. A maioria dos poemas inéditos também pertence a essa mesma cronologia. Até agora, a obra considerada inaugural da narrativa galega foi Gente da Barreira. No entanto, no que diz respeito à poesia em galego dessa época, podemos estabelecer certos paralelismos. Carvalho Calero posiciona-se entre Eugénio Montes e Álvaro Cunqueiro, inserindo-se nas Vanguardas do século XX. Este novo trabalho exige que repensemos este momento da história da nossa literatura à luz desta recente investigação.

Outro dos aspetos que esta tese revela são os posicionamentos estéticos de Carvalho Calero, herdeiros do período anterior à Guerra Civil, mas que, com o tempo, evoluem para novos caminhos, assumindo características próprias do seu momento histórico.

Estamos, assim, a avançar e a dar conta do que ainda faltava, abordando aquilo que Dom Ricardo mais valorizava na sua trajetória: antes de mais nada, ele era, e sempre se considerou, um poeta. Às controvérsias normativas sobre o Scórpio, acrescenta-se agora uma nova reflexão: o lugar que Ricardo Carvalho Calero ocupa na história da literatura galega como poeta.

A Academia dá os efusivos parabéns a Doutor Paulo Fernandes Mirás por este trabalho tão necessário, dedicado a um autor, Ricardo Carvalho Calero, que hoje também se revela indispensável, pois foi ele quem interpretou a literatura galega unicamente como a escrita em galego seguindo o critério filológico por ele próprio proposto, interpretação que a dia de hoje ninguém questiona.

A AGLP publica "Carvalho Calero: por um Galego útil, rendível, económico e competitivo"

O volume inclui trabalhos de Joel R. Gômez, quem edita 2 artigos muito marcantes na trajetória de Carvalho, e de José-Martinho Montero Santalha e António Gil Hernández

AGLP 19/10/2025


A Academia Galega da Língua Portuguesa (AGLP) publica o Anexo VI do Boletim da Academia Galega da Língua Portuguesa (AGLP), com o título Carvalho Calero: por um Galego útil, rendível, económico e competitivo. Inclui trabalhos de Joel R. Gômez, quem edita 2 artigos muito marcantes na trajetória de Carvalho, e de José-Martinho Montero Santalha e António Gil Hernández.

O volume inicia-se com o estudo “A produção jornalística de Carvalho Calero sobre política linguística: por um galego útil, rendível, económico e competitivo”, de Joel R. Gômez. Este trabalho foi defendido o dia 5 de outubro de 2024 na Casa da Língua Comum, em Santiago de Compostela, com ensejo da tomada de posse do como académico numerário da AGLP. Analisam-se mais de cem textos divulgados por Carvalho Calero no jornal La Voz de Galicia, em que se ocupou de temas de política linguística. Reivindica-se como produtor de artigos de opinião e reclama-se a atualidade da sua doutrina reintegracionista, reclamando que seja considerada de novo na agenda política da Galiza, após os decepcionantes resultados da política linguística aplicada desde abril de 1983, que derivou na perda de utentes da língua da Galiza, e a sua progressiva substituição pelo espanhol.

Na bibliografia final referenciam-se 236 trabalhos de Carvalho Calero, publicados entre 1945 e pouco antes da sua morte, em La Voz de Galicia. Reproduzem-se no final 2 desses artigos de Carvalho, publicados no referido jornal no verão de 1975, em que propõe uma modificação progressiva da ortografia galega, passando de uma orientação alicerçada no galego-castelhano para o galego-português, esta última em consonância com a história e a tradição da língua e o Galeguismo.

O volume completa-se com os artigos “Recebimento de Joel Gômez na AGLP”, de José-Martinho Montero Santalha, com informações de interesse sobre o novo membro numerário da AGLP; e “Carvalho Calero: Notas reintegracionistas”, de António Gil Hernández, no que o presidente da AGLP relata lembranças sobre o seu relacionamento com Carvalho Calero. Também se acompanha na capa de uma caricatura do autor estudado, da autoria de Siro López.

 

O valioso contributo jornalístico de Carvalho Calero

Ricardo Carvalho Calero (Ferrol, 1910 - Santiago de Compostela, 1990) é hoje reconhecido como cientista, pelos seus estudos sobre a língua e a literatura da Galiza; como produtor literário, pelos seus contributos de poesia, narrativa, teatro e ensaio; e como político, pela sua intervenção no Seminário de Estudos Galegos, tempo em que redigiu o primeiro anteprojeto de Estatuto de Autonomia para Galiza, com Luís Tobio, como ele próprio relatou no jornal La Voz de Galicia, em artigos publicados os dias 27/01/1981 e 12/09/1981. No campo político também é reconhecido pela sua atividade no Partido Galeguista, para além da luta sobre a política linguística, em especial desde a década de 1970 do século passado.

Merece valorizar-se também Ricardo Carvalho Calero como produtor de artigos de opinião, pois neste campo conta com trabalhos que podem ser considerados modelares, e dignos de fazer parte da bibliografia curricular dos especialistas. Estes trabalhos resultam muito valiosos e do maior interesse para conhecer a sua trajetória e a evolução da sua produção, como também para ajudar a transformar e potenciar a língua da Galiza.

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Cidade da Praia vai acolher a 13.ª edição do Encontro de Escritores de Língua Portuguesa

A cidade da Praia, em Cabo Verde, será palco, de 16 a 18 de outubro, da 13.ª edição do Encontro de Escritores de Língua Portuguesa (EELP), que este ano se realiza sob o tema “Independência, Literatura, Inteligência Artificial”. O evento é organizado pela UCCLA em conjunto com a Câmara Municipal da Praia.

A abertura oficial contará com a intervenção do Presidente da República de Cabo Verde, José Maria Neves, e o encerramento do ministro da Cultura e das Indústrias Criativas, Augusto Veiga.

O encontro reunirá escritores, investigadores, editores, professores, críticos literários e leitores de vários países e regiões do espaço lusófono, promovendo o diálogo em torno do tema em análise. O programa coloca a Inteligência Artificial no centro das questões que hoje atravessam a criação literária e o futuro do livro. 

Nesta edição estará, também, em foco o V centenário do nascimento de Luís Vaz de Camões, num ano em que se assinala o cinquentenário das independências em vários países lusófonos. 

 Escritores confirmados:

Angola: Israel Campos; 

Brasil: Ozias Filho; 

Cabo Verde: Adolfo Lopes, Arménio Vieira (texto), Dina Salústio, Germano Almeida, Hélio Varela (vídeo), Manuel Pereira Silva, Nardi Sousa, Paulo Veríssimo, Princezito e Sérgio Raimundo; 

Galiza: Teresa Moure Pereiro (AGLP)

Guiné-Bissau: Emílio Tavares Lima; 

Macau/China: Joaquim Ng Pereira;  

Moçambique: Sérgio Raimundo; 

Portugal: Hélia Correia, Isabel Castro Henriques (vídeo), João de Sousa (editora A Bela e o Monstro - edição comentada Os Lusíadas), Manuel Alegre (texto) e Ricardo Araújo Pereira;  

São Tomé e Príncipe: Alice Goretti Pina; 

Angola/Portugal: Cláudio Silva - Vencedor do Prémio de Revelação Literária.  

Folheto da 13.ª edição do Encontro de Escritores de Língua Portuguesa - https://www.uccla.pt/sites/default/files/2025-10/XIII-EELP_Cabo-Verde_2025.pdf 

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